segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Órfãos de Haximu e os órfãos de literatura sobre o povo Yanomami



O fato de ser uma obra literária que retrata o povo Yanomami foi o que me instigou a ler o livro infantojuvenil Órfãos de Haximu (2010), de Inês e Maria Lúcia Daflon, com ilustrações de Joãocaré. Sei de raras iniciativas literárias sobre tal povo, ainda mais voltadas a crianças e adolescentes.

Tendo como pano de fundo dois marcos na história, relacionados a conflitos de terra e povos indígenas, ocorridos em Roraima, o Massacre de Haximu e a homologação da Raposa Serra do Sol, o livro conta a história de Daniel, um yanomami, criado em Londres pelo pai inglês, e que, depois de adulto, resolve voltar a Roraima e conhecer sua história: para protegê-lo, o pai o separou da irmã gêmea, após o nascimento. Segundo a cultura daquele povo, somente a menina deveria sobreviver.

A história aborda temas como amor, educação, povos indígenas, justiça, política, meio ambiente e pluralidade cultural. Não me arrependi da leitura. Tive a impressão de que o livro, escrito por duas cariocas, foi pensado para outro público que não o roraimense. Ainda assim, nós que estamos geograficamente mais próximos dos yanomami, mas muitas vezes distantes em outros tantos aspectos, podemos, pela leitura, iniciar esse contato e, quem sabe, nos compreender um pouco mais.

Dentro das limitações do formato, a obra traz uma boa contextualização sobre o tema principal abordado, além de apresentar sobre ele um ponto de vista interessante. O gênero ação de modo mais intenso e que provavelmente agrade o público mais jovem fica para o último capítulo do livro. 

Ao fim, ficou em mim a vontade de ler A Queda do Céu: Palavras de um Xamã Yanomami, de Davi Kopenawa e Bruce Albert.

Outras resenhas: 
Entre ‘O Mundo Perdido’ e Sherlock Holmes: um imenso abismo


 

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